Extraído de Wikipédia
Por muitos anos se acreditou em um distanciamento entre Cultura e Natureza. Este distanciamento influenciou sobremaneira as relações estabelecidas entre o Homem como ser diferenciado e destacado da natureza em contraposição à Natureza e seus recursos.
Criou-se posteriormente a distinção entre paisagem natural e paisagem cultural, esta última seria o objeto de estudo do historiador. Esta visão ainda destacava o Homem de seu contexto natural, só serviriam aos estudos históricos as paisagens transformadas pela acção do homem. Atualmente, existe a preocupação dos historiadores em perceber as relações entre o homem e seu meio ambiente. Nada mais óbvio que enxergar as inter-relações entre os diversos fatores que norteiam esta relação.
A tecnologia e a economia são fatores importantes na relação entre uma dada sociedade e o ambiente natural que a cerca. É seguindo esta perspectiva teórica de inter-relações que se produzem atualmente os trabalhos acadêmicos em torno da História Ambiental.
A História Ambiental como Campo de estudo
Vários autores (Stewart, 1998, Worster, 1991, Drummond, 1991, 1997) concordam em afirmar que a História Ambiental tem sido feita, de modo geral, em três categorias de análises: reconstrução de ambientes naturais do passado, estudo dos modos humanos de produção e seu impacto sobre o ambiente; e a análise da história das idéias, das percepções e dos valores sobre o mundo natural. Esses níveis podem aparecer integrados, como no estudo sobre a mata Atlântica de Warren Dean (1996) ou de forma separadas, como no estudo das idéias conservacionistas de Pádua (2002) em “Um sopro de destruição”. Embora possa haver maior ênfase neste ou naquele plano, há a preocupação entre a maior parte dos estudos de evitar uma “racionalização das necessidades do estômago” ou um extremado ideacionismo, evitando a dicotomia “Barriga” e “Pensée”.
A necessidade da integração de diferentes níveis de análises fez com que uma das principais características da História Ambiental seja o diálogo com outras disciplinas como a geologia, biologia, geografia, antropologia e, principalmente, a ecologia. Worster (1991:06) qualifica esse diálogo da seguinte maneira:
No seu conjunto as ciências naturais são instrumentos indispensáveis para o historiador ambiental, que precisa sempre começar com a reconstrução de paisagens do passado, verificando como eram e como funcionavam antes que as sociedades humanas as penetrassem e as modificassem. Trata-se de colocar a natureza na História (Cronom, 1983), ou ir mais além, “colocar a história humana no contexto da natureza não-humana” (Soffiati, s/d).
PARA MAIORES CONSULTAS:
- AGUIRRE ROJAS, C. A. Os Annales e a historiografia francesa: tradições críticas de Marc Bloch a Michel Foucault. Maringá: Eduem, 2000.
- BRAUDEL, Fernand (2002): Geohistória. IN: Entre passado e futuro. Nº 1. São Paulo: Maio.
- BURKE, P. A Escola dos Annales (1929-1989): A Revolução Francesa da Historiografia. São Paulo: Fundação Editora da Unesp. 1997.
- CRONON, W. Changes in the land: indians, colonists and ecology of New England. New York: Hill and Wang, 1983.
- Crosby, Alfred W. (1986): Ecological imperialism: the biological expansion of Europe, 900 – 1900. Cambridge: Cambridge University Press. (Studies in environment and history).
- DEAN, Warren. A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira. Trad. São Paulo, Cia. Das Letras, 1996.
- DOSSE, F. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio. Campinas, SP: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1992.
- DRUMMOND, José Augusto. A História Ambiental e o choque das civilizações. In Ambiente e Sociedade, Ano III, n5, 2ª Semestre, 1999.
- ________________________. A História Ambiental: temas, fontes e linhas de pesquisa. In Estudos Históricos, RJ, vol.4, n. 8. 1997 Abstracts, Texto integral
- GONÇALVES, Carlos Walter Porto. Os (Des) Caminhos do Meio Ambiente. São Paulo: Ed. Contexto, 1998.
- MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. 1º capítulo, seguido das teses sobre Feuerbach. Trad. de Álvaro Pina. Lisboa: Avante, 1981. (Biblioteca do Marxismo-Leninismo/16)
- OLIVEIRA, Ana Maria de. Relação Homem/Natureza no Modo de Produção Capitalista. In Scripta Nova. Revista Electrónica de Geografia Y Ciencias Sociales. Vol. VI, n. 119 (18), 1 de Agosto de 2002.
- PÁDUA, J.A. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista, 1786-1888. RJ: Jorge Zahar Editora, 2002.
- PONTING, Clive. Uma História Verde do Mundo. RJ: Civilização Brasileira, 1995.
- RIBEIRO, Ricardo Ferreira. Florestas anãs do Sertão – O Cerrado na História de Minas Gerais. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
- Shepard Krech III, J.R. McNeill, and Carolyn Merchant (Editors)(2004): Encyclopedia of World Environmental History. New York: Routledge.
- SILVA, E. R. DA. & SCHRAMM, F. R. A questão ecológica: entre a ciência e a ideologia de uma época. Cad. Saúde Publica, 13(3): 255-382, RJ. 1997
- SILVA, Francisco Carlos Teixeira da (1997): História das paisagens. IN: CARDOSO, Ciro Flamarion et VAINFAS, Ronaldo (orgs.) Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus.
- SOFFIATI, A. Destruição e proteção da Mata Atlântica no Rio de Janeiro: ensaio bibliográfico acerca da eco-história. (texto eletrônico), s/d.
- STEWART, M.A. Environmental History: Profile of a developing Field. IN The History Teacher, vol. 31, nº 3, 1998.
- Winiwarter, Verena (1998): Was ist Umweltgeschichte? Ein Überblick. (= Social Ecology Working Paper 54). Wien: Institut für Soziale Ökologie, Fakultät für Interdisziplinäre Forschung und Fortbildung IFF.
- WORSTER, D. Para fazer História Ambiental. In Estudos Históricos, vol. 4, n. 8, 1991.
- ____________. Transformações da Terra: Para uma Perspectiva Agroecológica na História. Ambiente e Sociedade. V.5, n.2 . Campinas, 2003
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