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A foto é do ano de 1938 de autoria de Ernst Schäfer, zoólogo e explorador alemão.  Ernst estudou de 1928 a 1934  Zoologia e Botânica, mas sua especialidade era a Ornitologia. Realizou uma terceira expedição ao Tibet com o objetivo de um registro completo da região tibetano, através de aspectos como a zoologia, botânica, geologia, cartografia, humanidade, entre outros. A expedição alemã recolheu tudo o que podiam: milhares de artefatos, um grande número de plantas e animais, incluindo os espécimes vivos. Eles coletaram espécimes de três raças de cães tibetanos, espécies raras felinos, lobos, raposas, texugos, animais e peles de aves.

Caçador.de.Lobos.Tibet

Buscando sobre caça aos lobos, achei interessante um artigo sobre a mitologia do lobo, no site da Nova Acrópole em que o autor escreve que “o lobo foi e sempre será um animal lendário. A maioria da humanidade considera-o como um símbolo de crueldade e de sangue, porque no passado quando o homem aprendeu a domesticar e dominar outros animais, o lobo converteu-se numa peste, um bandido que roubava o gado de camponeses”.

Os lobos se desenvolveram em diversos ambientes, como florestas temperadas, desertos, montanhas, tundras, taigas, campos e até mesmo em algumas áreas urbanas. Observei nas consultas que, em relação a caça aos lobos, sabe-se que em 1800, caçadores levaram os lobos à beira da extinção em 48 estados norte-americanos; somente depois de 1940 é que começaram a surgir leis para proibir tal prática. Leis federais e estaduais norte-americanas ajudaram a população de lobo aumentar lentamente, mas, nos últimos anos, as espécies têm sido extintas em vários estados dos Estados Unidos.

Atualmente, os lobos são os animais com mais leis nos Estados Unidos e muitos fazendeiros se opõem ferozmente aos programas de proteção – já que os lobos são uma ameaça para o gado e ovelhas. Por outro lado, conservacionistas apontam para a importância do papel que o lobo desempenha ecologicamente: sem predadores, ecossistemas inteiros podem perder seu equilíbrio, como vários ecólogos já comprovaram.

As principais causas de mortalidade de lobos no mundo são a caça, os acidentes envolvendo veículos e os ferimentos ocorridos durante o ataque a suas presas. Apesar de lobos adultos poderem, ocasionalmente, ser mortos por outros predadores, os grupos de lobos rivais são muitas vezes os inimigos mais perigosos, excetuando-se os seres humanos.

Confesso que esse post não seria sobre a foto de Ernst Schäfer ! Buscava informações pela Universidade de Minnesota sobre caça de lobos, mas não obtive muito sucesso em relação à história ambiental e fotografias! No entanto, achei um belíssimo trabalho do estudante Michael D. Wise que examinou a história ambiental da erradicação de lobos nas regiões entre Montana (Estados Unidos) e Alberta (Canadá). Esse trabalho merece ser divulgado em meu blog.

Conheça mais:

ANDA – Agência de Notícias dos Direitos dos Animais.

O YouTube possui o vídeo na íntegra da expedição de Ernst Schäfer no Tibet.

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Extraído de Ambiente Brasil.

Cientistas estão descobrindo que as cidades aquecem até 2°C em um raio de mil quilômetros a seu redor Você não precisa viver em uma cidade – ou mesmo perto de uma – para que as atividades urbanas afetem seu clima, de acordo com um novo estudo.

Pesquisadores usando um modelo computadorizado da atmosfera concluíram que as atividades das áreas urbanas podem aquecer o ar a mais de 1600 quilômetros de distância. Em algumas áreas, esse aumento foi maior do que um grau Celsius (1,8 grau Fahrenheit).

As mudanças de temperatura foram causadas pelo comportamento humano nas cidades, como o aquecimento causado por edifícios e veículos no lugar do calor natural, que é absorvido pelas superfícies pavimentadas. O calor entra na atmosfera diretamente acima das cidades, segundo os cientistas, mas depois é disperso pelos movimentos naturais das corrente globais.

Ao mesmo tempo, no entanto, ao afetar o movimento do ar na atmosfera, o calor dos centros urbanos resulta também em ar mais frio em algumas partes do mundo, incluindo certas partes da Europa.

O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Estadual da Flórida, da Instituição Scripps de Oceanografia e do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos, foi publicado no periódico Nature Climate Change. Ele se baseou em dados climáticos da Organização das Nações Unidas e em vários relatórios publicados sobre o consumo de energia per capita.

O aumento da temperatura pode explicar o motivo de algumas áreas estarem enfrentando invernos mais quentes do que modelos climáticos computadorizados haviam projetado, segundo os pesquisadores. Para melhor representar os efeitos do aquecimento global, cientistas do clima devem considerar a incorporação dos efeitos das zonas urbanas, concluíram eles. (Fonte: Portal iG)

Extraído de Ambiente Brasil.

Pode não parecer verdade, mas vínculos emocionais em animais como os primatas podem ter evoluído no que nós humanos conhecemos como amor.

Um exemplo disso são os macacos da noite que vivem em árvores tropicais e tratam todo dia como se fosse Dia dos Namorados. Um macho e uma fêmea ficam juntos até o final de suas vidas, nunca traem e nunca se divorciam de seus companheiros – um comportamento extremamente incomum, mesmo entre as pessoas.

Às vezes, no entanto, macacos jovens adultos que não conseguem encontrar companheiros – macacos que os cientistas chamam de flutuadores – engajam em brigas ferozes com parceiros estabelecidos, eventualmente fazendo com que um deles desista da relação.

Agora, uma nova pesquisa mostrou que os macacos que são forçados a assumir novos parceiros têm menos filhos do que os que não foram separados, disse Eduardo Fernandez-Duque, um antropólogo biólogo da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, que liderou um novo estudo sobre relações dos macacos da noite.

Os resultados mostram como a monogamia ajuda aos macacos da noite – e pode até mesmo demonstrar a maneira na qual as relações humanas evoluíram, disse Fernandez-Duque, que recebeu financiamento para seu trabalho do Comitê de Pesquisa e Exploração da National Geographic.

“Não importa do que o chamamos – há algo em nossa biologia que nos leva a ter este vínculo duradouro e emocional entre duas pessoas nas sociedades humanas”, disse Fernandez-Duque, em um comunicado.

Problemas no paraíso – Apenas cerca de 5% dos mamíferos são monogâmicos e este fenômeno na maioria das vezes ocorre quando ambos os pais precisam estar presentes para criar seus filhos, como no caso dos humanos.

No caso dos macacos da noite, os pais assumem a maior parte da infância de um bebê, contando com a mãe apenas para providenciar o leite.

Mas os flutuantes – que Fernandez-Duque e seus colegas notaram pela primeira vez em 2003, na região do Chaco da Argentina – podem significar problemas para a comunidade de macacos da noite.

Baseando-se em quase duas décadas de observações de 18 grupos de macacos da noite, a equipe descobriu que os pares que permanecem juntos dão cria em 25 % a mais do que macacos que têm sua relação terminada pelos flutuadores.

O animal exilado desses relacionamentos, no entanto, normalmente sai ferido da briga e muitas vezes morre.

Química do amor – Ainda não se sabe os motivos pelos quais os macacos que perdem seus pares têm menos filhos, embora Fernandez-Duque suspeite de que há um componente emocional.

Assim como um homem e uma mulher precisam de tempo para ficarem juntos para poderem se conhecer e formar uma ligação profunda, os macacos da noite também. Assim, quando um macaco que saiu de um relacionamento entra em um novo, há um atraso no acasalamento – geralmente de cerca de um ano, disse Fernandez-Duque.

Na verdade, a ligação dupla em animais monogâmicos, como no caso dos macacos, pode ser uma espécie de “antecedente evolutivo do amor dos humanos”, disse Larry Young, um neurocientista comportamental na Universidade de Emory, em Atlanta, e autor do novo livro “A Química Entre Nós: Amor, Sexo e a Ciência da Atração”.

Young, que estuda a química do amor e emoção no cérebro, faz a maior parte de sua pesquisa em ratazanas monógamas.

Embora o amor humano seja uma emoção de reflexos complexos de nossos cérebros, disse ele,”a fundação do que a emoção é, é muito semelhante aos neuro mecanismos presentes nas ratazanas.”

Por exemplo, as experiências têm mostrado que, se uma ratazana perde o seu parceiro, o animal que sofreu a perda mostra sintomas depressivos – medidos por uma falta de vontade de escapar de uma situação perigosa.

De acordo com Young, nossos cérebros foram programados para amar, por assim dizer:” Nossos órgãos têm evoluído seu mecanismo para produzir uma ligação emocional”, disse ele.

O apego é estimulado pela oxitocina – produzida durante o contato íntimo em pessoas e animais – e dopamina, que é responsável pela sensação de alegria e felicidade.

Então por mais incrível que seja o amor, disse ele, “é realmente o resultado de um coquetel de produtos químicos”.

O estudo sobre os macacos da noite foi publicado no dia 23 de janeiro na revista PLoS ONE. (Fonte: Portal iG)

Extraído de G1, por Rafael Sampaio.

Um estudo realizado por mais de 50 cientistas de diversos países, publicado pela renomada revista “Science”, afirma que animais silvestres são, em várias situações, polinizadores mais eficientes do que as abelhas comuns (Apis mellifera), muito utilizadas para polinizar culturas agrícolas.

Morcegos, beija-flores, besouros e abelhas de espécies diversas, não só da espécie Apis mellifera, são capazes de polinizar vários tipos de plantas. No caso de culturas agrícolas, a polinização por animais silvestres fez aumentar a frutificação em até duas vezes, ressalta Juliana Hipólito, pesquisadora de ecologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e uma das autoras do estudo, publicado nesta quinta-feira (28).

“Isso está relacionado à qualidade da deposição do pólen. Os polinizadores nativos demonstraram maior eficiência nesse quesito em certas culturas agrícolas”, diz a pesquisadora. Em todos os cultivos em que animais nativos fizeram a polinização, independente da presença da Apis mellifera, houve ganho na reprodução, afirma ela.

Sem competição
Juliana aponta que, no início do estudo, os pesquisadores imaginaram que haveria competição entre as abelhas comuns e animais polinizadores nativos, caso ambos convivessem na mesma área. A situação praticamente não ocorreu.

“Basicamente não há relações fortes de competição como a gente achava que haveria. Constatamos que polinizadores nativos, como vespas, podem ajudar na agricultura”, diz a pesquisadora. “A Apis mellifera pode ter papel complementar ao dos animais silvestres [na polinização].”

Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e também autor do estudo, Breno Magalhães Freitas informa que foram estudadas cerca de 600 áreas agrícolas (como fazendas) em todos os continentes do mundo, exceto na Antártica.

“A prática atual da agricultura é não se preocupar com os polinizadores silvestres”, afirma. Segundo ele, quando os animais nativos são eliminados de uma área agrícola, “o produtor tende a pensar: ‘eu posso colocar colmeias de abelhas para polinizar'”, mas isso está longe de aumentar a eficiência na agricultura.

“O trabalho mostra que as abelhas comuns polinizam, mas não são muito eficientes. Os polinizadores [abelhas e outros animais] não são excludentes”, pondera o pesquisador.

A maioria dos animais polinizadores são abelhas de diversas espécies – elas representam de 70% a 80% dos seres com esta função, segundo Freitas. “Não quer dizer que uma espécie é melhor do que a outra. Elas são complementares.”

Especialistas
Os animais silvestres tendem a ser mais eficientes na polinização porque são “especialistas” em certos tipos de planta, afirma o pesquisador. “Eles atingem um grupo menor, e com isso conseguem ser eficientes naquela planta que visitam”, ressalta.

Já as abelhas comuns, também chamadas de abelhas europeias, polinizam vários tipos de plantas. “Elas não são especialistas, fazem uma polinização básica, mais geral”, diz Freitas.

Exemplos de animais polinizadores nativos do Brasil são abelhas mamangavas, essenciais para a reprodução do maracujá. Já o caju pode ser polinizado tanto por abelhas centris, um tipo natívo, quanto pela Apis mellifera. “Elas se complementam”, afirma o professor da UFC.

Orientações para os produtores rurais são evitar o desmatamento ao redor de suas propriedades, para garantir o habitat natural dos animais silvestres que podem ser polinizadores. Também é importante usar menos agrotóxicos, afirma o professor.

Extraído de Ambiente Brasil.

As áreas urbanas do mundo vão mais do que dobrar de tamanho até 2030 e isso será uma oportunidade para construir cidades mais verdes e saudáveis, segundo um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta segunda-feira.

Medidas simples de planejamento, como a abertura de mais parques, o plantio de árvores e a construção de jardins sobre lajes de prédios, podem tornar as cidades menos poluídas e ajudar na proteção de plantas e animais, especialmente em grandes nações emergentes, como China e Índia, onde o crescimento urbano deve ser mais acelerado, disse o estudo.

“Uma rica biodiversidade pode existir nas cidades e é extremamente crítica para a saúde e o bem-estar das pessoas”, escreveu o editor-científico do estudo, intitulado “Perspectiva das Cidades e da Biodiversidade”, Thomas Elmqvist.

A população urbana do mundo deve saltar de pouco mais de 3,5 bilhões atualmente para 4,9 bilhões em 2030, segundo avaliação da Convenção da ONU para a Diversidade Biológica. Ao mesmo tempo, a área coberta pelas cidades deve crescer 150%, diz o estudo.

“A maior parte desse crescimento deve acontecer em cidades pequenas e médias, não em megacidades”, diz o estudo, divulgado por ocasião de uma reunião da ONU sobre biodiversidade em Hyderabad, na Índia.

Mais espaços verdes nas cidades podem filtrar a poluição e a poeira e absorver o dióxido de carbono, principal dos gases do efeito estufa. Alguns estudos mostram que a presença de árvores pode ajudar a reduzir a asma e as alergias em crianças que vivem próximas, diz o texto.

O estudo salienta também a ampla diversidade de plantas e animais nas cidades. Varsóvia, por exemplo, concentra 65% das espécies de aves encontradas na Polônia. A Montanha de Mesa (Cidade do Cabo, África do Sul) e o Parque Nacional Saguaro (Tucson, Estados Unidos) são citados como outros exemplos de riqueza natural urbana.

“O desenvolvimento urbano sustentável que ampara ecossistemas valiosos representa uma grande oportunidade para melhorar vidas e subsistências”, disse o chefe do Programa Ambiental da ONU, Achim Steiner. Uma maior arborização das cidades pode ajudar a resfriá-las no verão, reduzindo o uso do ar-condicionado, diz o texto.

“Recentes estudos salientam a importância dos jardins urbanos, mesmo que pequenos, no fornecimento de um habitat para polinizadores nativos, como abelhas, que vêm declinando em ritmo alarmante nas últimas décadas”, disse o estudo.

E o relatório aponta também argumentos imobiliários para uma cidade mais verde. Nos Estados Unidos, “parques urbanos elevam o valor de propriedades residenciais próximas numa média de 5%; parques excelentes podem representar um aumento de 15%”, afirma o texto. (Fonte: Portal Terra)

Extraído de Ambiente Brasil.

Um concreto idealizado pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos (SP) substitui os materiais tradicionais que o compõem por componentes reaproveitados. O produto faz parte do estudo que investiga a reutilização, ou reciclagem, de resíduos sólidos industriais na construção civil.
Veja galeria de fotos do produto

O concreto tradicional emprega cimento, areia e pedra, enquanto o sustentável substitui 70% da areia natural por areia de fundição (utilizada em moldes nos processos de peças metálicas) e 100% da pedra por escória de aciaria (resíduo que sobra da produção do aço).

“As vantagens para o meio ambiente são evitar o descarte inadequado de resíduos sólidos industriais, o que pode causar contaminação de solos e águas subterrâneas, e proporcionar a economia de recursos naturais”, explica o engenheiro eletricista Javier Mazariegos Pablos, autor do estudo.

Os resíduos industriais não podem sofrer descarte comum, pois são nocivos ao meio ambiente. Os materiais só podem ser dispostos em aterros específicos e o valor é elevado (cerca de R$ 200,00 a tonelada). O novo produto evita o descarte e elimina o custo para as indústrias.

Pavimentação – Enquanto o concreto tradicional é empregado para fins estruturais, o novo produto foi desenvolvido para a fabricação de peças para pavimentação. Ele pode ser usado em guias, mobiliário urbano e na execução de contrapisos e calçadas.

O preço e o custo do concreto dependem do valor dos resíduos sólidos empregados, explica Pablos, que estuda a reutilização das areias de fundição aglomeradas com argila na construção civil desde 1993. O desenvolvimento do concreto envolveu também o estudo do resíduo constituído por escórias e foi iniciado em 2009.

“O concreto pode ser comercializado a qualquer momento, somente estamos esperando a manifestação de interesse de alguma empresa para que possamos firmar um convênio de transferência de tecnologia”, diz o docente da USP.

O material já tem um número provisório de patente. O registro é concedido pelo órgão governamental Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A partir de agora, eles vão verificar em todo o mundo se já existe algum outro produto com essas mesmas características. Se for verificado que não, o concreto receberá a patente definitiva.

“Os ensaios são os determinados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para cada finalidade. Inicialmente, empregamos o concreto na fabricação de peças para pavimentação (bloquetes), os quais atenderam a todos os requisitos estabelecidos pela norma brasileira referente”, explica o autor do estudo. (Fonte: Fabio Rodrigues/ G1)

Extraído de Ambiente Brasil.

Em uma montanha arborizada carbonizada por um incêndio ocorrido em 2003, Richard Hutto, ornitólogo da Universidade de Montana, toca uma gravação do som de um pica-pau preto batendo o bico no tronco de uma árvore.

O som característico continua sem resposta até Hutto ficar pronto para sair. Então, no topo de uma árvore totalmente carbonizada, um pica-pau de penas pretas, peito branco e crista amarela reage, emitindo uma resposta ritmada.

“Esta floresta pode ter sido queimada”, diz Hutto, sorrindo, “mas isso não significa que ela está morta. Tem muita coisa acontecendo”.

A batida do bico do pica-pau preto na árvore indica mais do que o retorno da vida à floresta. Ela também pode ser uma pista importante de como solucionar um debate sobre o quanto devemos, e até mesmo se devemos, tentar evitar grandes incêndios florestais.

Os cientistas estão em desacordo quanto a se há uma vantagem ecológica em desbastar florestas e usar queimadas prescritas para reduzir o estímulo a incêndios posteriores – ou se esses métodos realmente diminuem os processos ecológicos e a biodiversidade.

A Agência Florestal dos EUA, que administra cerca de 80 milhões de hectares de terras públicas, acredita que a limitação do desbaste e das queimadas pode evitar incêndios catastróficos. A agência contrata empresas madeireiras para cortar árvores pequenas e grandes em amplas extensões de terras, e usa queimadas prescritas. Além de proteger casas, dizem os especialistas, esses métodos também recriam o estado natural da floresta.

A abordagem, desenvolvida principalmente como resultado de estudos de anéis de árvores, procura reconstruir as florestas do Oeste de acordo com como elas eram antes do século XX, quando a repressão de incêndios em grande escala ocorreu pela primeira vez.

Alguns ecologistas e ambientalistas, no entanto, estão desafiando o modelo da Agência Florestal, dizendo que ele se baseia em dados científicos incompletos e está causando danos ecológicos.

Pesquisas recentes, dizem eles, mostram que a natureza muitas vezes causou incêndios muito mais graves do que os registros de anéis de árvores mostram. Isso significa que a ecologia das florestas do Oeste depende de incêndios de diferentes graus de gravidade, incluindo aqueles que nós consideramos catastróficos, não apenas os tipos de queimadas de baixa intensidade que as políticas atuais da Agência Ambiental favorecem.

Eles dizem que os grandes incêndios, longe de destruir florestas, podem ser uma injeção de adrenalina que estimula a biodiversidade.

O pica-pau preto poderia ser um indicador importante de qual dessas posições é a correta.

O pássaro vive quase exclusivamente em florestas que passaram por incêndios severos. Ele se alimenta do escaravelho e do besouro-joia, que se adaptam a incêndios e conseguem detectar calor a 50 quilômetros de distância com os sensores infravermelhos que têm sob as patas. Ambas as espécies depositam ovos apenas em árvores queimadas, cujas defesas foram eliminadas pelo fogo.

O pica-pau preto se alimenta de larvas dos escaravelhos. A sua coloração evoluiu até ficar bastante semelhante à das árvores queimadas, para que eles não fiquem visíveis para falcões e outros predadores enquanto bicam os troncos.

Monitorar a presença dos pica-paus pode indicar se há incêndios graves o suficiente para que os seus ecossistemas sejam estimulados e as suas populações sejam mantidas saudáveis, bem como as de outras espécies.

William Baker, ecologista especializado em incêndios e paisagens da Universidade de Wyoming, afirma que o tipo de incêndio limitado que está sendo empregado para controlar os incêndios maiores não é tão comum na natureza quanto se pensava.

Em um artigo recente da revista Global Ecology and Biogeography, publicado com Mark Williams, Baker empregou um método pouco ortodoxo a fim de reconstruir a história dos incêndios, desafiando análises atuais dos anéis das árvores. A pesquisa foi financiada pela Fundação Nacional de Ciência e pela Secretaria de Agricultura dos EUA.

Baker e Williams examinaram milhares de registros manuscritos criados por agentes federais do Escritório Geral de Terras que pesquisaram terras não cultivadas no Ocidente em meados do século XIX. Os pesquisadores usaram um machado para marcar árvores em intervalos precisos e tomaram notas meticulosas sobre como o estado da vegetação entre as árvores marcadas – árvores em situação de prado, queimadas ou já maduras.

Ao todo, os alunos de Baker vasculharam 13 mil registros manuscritos sobre 28 mil árvores marcadas, e caminharam por quilômetros no Oregon, em Colorado e Arizona para encontrar algumas das árvores e comparar as condições de hoje com as do século XIX.

Eles descobriram que incêndios de baixa intensidade que ocorreram naturalmente não foram tão amplos quanto outras pesquisas haviam mostrado, e que eles não evitam incêndios mais graves. Baker concluiu que os incêndios de grande porte são inevitáveis e argumenta que lidar com eles é melhor para os ecossistemas – e menos dispendioso.

“Nossa pesquisa mostra que a redução dos combustíveis não vai reduzir muito a gravidade dos incêndios”, disse ele. “Mesmo se reduzirmos os combustíveis, ainda teremos graves incêndios” por causa de condições meteorológicas extremas.

Jennifer Marlon, paleoecologista da Universidade de Yale que estudou três mil anos de história de incêndios no Oeste dos EUA, disse que seu trabalho a levou a uma conclusão similar. Em comparação com os últimos milhares de anos, “o número de incêndios ocorridos no Oeste nos últimos cem anos foi extraordinariamente baixo”.

Mas outros pesquisadores de incêndios dizem que ainda não estão prontos para abandonar o modelo atual.

“São dados interessantes que precisam ser testados”, disse Peter M. Brown, dendrocronologista de Fort Collins, Colorado, que estuda a história dos incêndios e é consultor da Agência Florestal. Mas isso não é suficiente, disse ele, para mudar o modelo atual.

Alguns acreditam que o argumento contra as queimadas prescritas é corroborado pela diminuição das populações de pica-paus pretos na Califórnia, no Oregon e em Dakota do Sul. Neste ano, quatro grupos ambientais entraram com uma petição solicitando que o pássaro seja declarado uma espécie ameaçada, culpando as políticas da Agência Florestal pelo seu declínio.

Os defensores da teoria da liberação dos incêndios dizem que embora as vidas humanas e as propriedades devam ser protegidas, os incêndios generalizados, para além disso, devem ser vistos como eventos ecológicos necessários, relacionados ao início de um novo ciclo em uma paisagem, proporcionando a existência de habitats para numerosas espécies por anos, até mesmo décadas. Esse princípio decorre de pesquisas sobre “a ecologia da perturbação”. Por exemplo, quando um furacão derruba uma grande área florestal ou um vulcão entra em erupção, isso estimula fortemente um ecossistema, descobriram os cientistas.

“As perturbações são muito importantes; elas são extremamente significativas”, disse Mark Swanson, ecólogo da Universidade Estadual de Washington que recentemente publicou um artigo no qual descreve áreas recuperadas que voltaram a se desenvolver após a erupção do Monte Santa Helena, em 1980. “O que se verifica, na realidade, é um aumento na riqueza de espécies, algumas vezes em níveis altos em âmbito regional.”

Para Hutto, o ornitólogo da Universidade de Montana, a abordagem da Agência Florestal é equivocada. Ele destacou que os cogumelos morel se desenvolvem em solo carbonizado, e que os pássaros, incluindo o azulão das montanhas e o pica-pau preto, em seguida, mudam-se para as áreas afetadas.

Da mesma forma, uma planta chamada arbusto-de-neve pode permanecer dormentes no solo por séculos, até que o calor de um incêndio faça rachaduras no revestimento de suas sementes. Após isso, ela floresce profusamente.

“O primeiro ano depois de um incêndio é quando a mágica realmente acontece”, disse Hutto. (Fonte: Portal iG)